Guia de Câmeras IP
In Uncategorized on Maio 20, 2009 at 6:02 pm
Projetando um sistema de Vigilância IP e Comparando com o CFTV
Quando se fala em sistemas de vigilância que empregam câmeras IP é inevitável a comparação direta com sistemas CFTV analógicos, o que tem suscitado acaloradas discussões que sempre envolvem estes dois tipos de sistemas, levando a um confronto de tecnologias baseado em abordagens baseadas em informações distorcidas. A comparação entre os sistemas na maioria das vezes é incompleta e pouco parcial, o que leva a uma incompreensão da empregabilidade de cada sistema.
Em geral a defesa dos sistemas de CFTV soa algo “apaixonada” e torna-se mesmo uma discussão anacrônica e reativa contra a progressiva e inexorável predominância dos sistemas de vigilância IP sobre os analógicos. Apesar das resistências enfrentadas, a prevalência futura dos sistemas nativos IP sobre os demais sistemas é de indiscutível previsibilidade, tal e qual como aconteceu com a tecnologia de câmeras digitais, que acabaram suplantando e soterrando suas antecessoras.
Para compreender melhor a aplicabilidade destas tecnologias, faz-se necessário rever o histórico que envolve a evolução das tecnologias de vigilância por câmeras. A maioria absoluta dos sistemas de vigilância hoje existente no Brasil é composta por sistemas de CFTV analógicos, sendo suportado por uma grande rede de instaladores e prestadores de serviços que obtêm a maior parte de suas receitas com a instalação deste tipo de sistema. O grande problema para a maioria destes instaladores é que este corpo técnico não tem capacitação hoje para lidar com sistemas baseados em vigilância IP, motivo pelo qual defendem a superioridade da solução analógica sobre aquela baseada em IP.
Poderíamos até mesmo traçar uma analogia entre os sistemas de de vigilância baseados em CFTV versus Vigilância IP e o confronto entre a telefonia analógica e a telefonia IP. Esta miríade de suportadores da tecnologia tem, até certo ponto, inibido a penetração dos sistemas de vigilância IP com maior intensidade.
Esta analogia ajuda a compreender a distinção que existe entre os dois sistemas. No Brasil, principalmente, a cultura voltada para a adoção de novas tecnologias, ao contrário do pensamento corrente, é extremamente conservadora. O Brasil tem sido sempre um dos últimos países a adotar novas tecnologias, especialmente pela grande dificuldade de adaptação das pessoas e empresas com as mudanças recorrentes. Não foi por outro motivo que o Brasil foi um dos últimos, senão o último país do mundo, a manter fábricas de máquinas de escrever operacionais, anos depois de terem sido varridas do mercado dos países mais desenvolvidos.
A cultura da vigilância no Brasil ainda está fortemente arraigada no conceito da televisão com vários quadrantes, localizada na “salinha do vigilante”, ou na portaria. É muito comum que os sistemas de vigilância fiquem a cargo da “equipe de segurança”, que geralmente possui pouco conhecimento tecnológico para lidar com outra coisa que não seja um DVR, ainda considerado um expoente tecnológico.
A maioria dos sistemas ditos digitais de vigilância no Brasil é na verdade composta por sistemas analógicos que foram “digitalizados”. Desta forma o sistema dito digitalizado na verdade requer a conversão da imagem nativa analógica em digital, normalmente à custa de grande perda de qualidade. Eventualmente, por serem digitalizados, tornam-se “IP”, e por isto podem ser manipulados por softwares de gerência. Tal digitalização, contudo, tem um custo elevado, com conversores analógico-digitais, sistemas de armazenamento e software que podem contribuir para elevar demasiadamente o custo, com um resultado apenas razoável e de difícil gerenciamento. Por outro lado, pode ser a melhor opção quando se dispõe de um sistema já implantado e com câmeras analógicas de qualidade superior.
Para melhor entender as diferenças entre um sistema baseado em vigilância IP e um outro baseado em sistema analógico, temos que compreender melhor o “porquê do IP” aplicado a este tipo de tecnologia. Muitas vezes nos esquecemos do principal antes de avaliarmos as diferenças entre os sistemas de mundos diferentes.
Na verdade, é disto que se trata. Estamos saindo da era do mundo analógico, tal como ocorre com a telefonia, para o mundo IP. Não será isto um simples modismo ? Na verdade, temos que entender que a principal questão aqui é conceitual. Estamos entrando na era da convergência, onde todas as aplicações se comunicam através da mesma infraestrutura, no caso, da rede IP, e passam a ser administradas pela mesma gerência, de TI.
É disto que se trata. A área de segurança, tal qual a telefonia, sai do cantinho da “portaria”, ou da “salinha de segurança” e passa a ser administrada pela área de TI. Afinal de contas, a TI já se preocupa com outros tipos de invasão, como a invasão dos sistemas da empresa ? Qual é a diferença em se rastrear a invasão física ?
A partir do uso do IP a gerência passa a ser unificada e potencializa-se os recursos existentes na própria TI, descartando-se outros. Além disto, a utilização de câmeras IP possibilita agregar inteligência na própria câmera, que é por si um FTP e Web Server. Cada câmera é um servidor inteligente de imagens que pode ser monitorado individualmente e responder a diversos comandos e programações, agindo de forma bidirecional, respondendo a ativação de dispositivos, alarmando por si e até mesmo enviando e-mails e SMS.
Cada câmera pode ser acessada individualmente a partir de qualquer localidade, parametrizadas todas as restrições de acesso, é claro. Mas não paramos por aí. A qualidade da imagem de uma câmera IP, que grava a imagem digitalmente nativa é muito superior ao da imagem analógica digitalizada. Nem sempre isto pode ser notado no “filme em movimento”, porém tal fator de qualidade ficará patente na recuperação da imagem congelada.
Alguns fatores contribuem para esta perda de qualidade por parte das câmeras analógicas. Um deles diz respeito ao comprimento do cabo de CFTV, até chegar naquela “salinha de segurança”, pois ocorre degradação de imagem em função da distância percorrida. Outro fator é que a imagem analógica digitalizada raramente gera uma definição superior a 0.4Mpixel. Câmeras IP de melhor qualidade registram 1.3 Mpixel ou mais, porém sem degradação alguma em função da distância, por já terem sido digitalizadas na origem.
Outro fator muito importante, e que muitas vezes somente é notado quando se quer recuperar determinado evento é o efeito provocado pelo entrelaçamento de imagem na câmera analógica, ao passo que câmeras IP de qualidade superior fazem uso do progressive scan. Novamente, tal fator passará despercebido quando se vê a imagem em movimento, mas não quando recuperamos o still da imagem, ou seja, o exato instante em que queremos congelar a imagem do evento. No modo entrelaçado ocorre uma varredura entre linhas pares e ímpares no quadro de imagem, com um retardo de 17 a 20ms entre as duas varreduras. É o suficiente para gerar o efeito “borrão”. No progressive scan a imagem é literalmente scaneada por inteiro, quadro a quadro.
É por isto que vemos um borrão na tela quando recuperamos a imagem em Still (congelada), obtida pelo método analógico. Estas diferenças de qualidade e precisão são determinantes no momento crucial que envolve a recuperação de imagens.
(…) Para ler restante veja mais em http://ip10voip.wordpress.com/2009/05/20/guia-de-cameras-ip